12 de janeiro de 2009

Metade , por Oswaldo Montenegro

" E que a força do medo que tenho, não me impeça de ver o que anseio, Que a morte de tudo em que acredito não me tape os ouvidos e a boca, Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio.
Que a musica que eu ouço ao longe, seja linda, ainda que triste, Que o homem que eu amo seja pra sempre amado mesmo que distante, Porque metade de mim é partida e a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece, e nem repetidas com fervor, apenas respeitadas, como a única coisa que resta a uma mulher inundada de sentimentos,Porque metade de mim é o que ouço, mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço, E que essa tensão que me corroi por dentro seja um dia recompensada, Porque metade de mim é o que penso e a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo, se torne ao menos suportável. Que o espelho reflita em meu rosto, um doce sorriso, que me lembro ter dado na infância,Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito, E que o teu silêncio me fale cada vez mais,Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba, E que ninguém a tente complicar porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer,Porque metade de mim é platéia, e a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada, Porque metade de mim é amor, e a outra metade .. também. "
 

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