11 de janeiro de 2009

Inspirado na pior das minhas perdas { ainda bem que é antigo }

Experimente fazer um corte no seu próprio braço. Nada de mais, algo superficial. Vai doer, ficar vermelho, sangrar, arder na hora do banho. Provavelmente você tenha que colocar um band-aid. Vai incomodar. Mas no dia seguinte o corte terá uma fina casquinha. Mais dois ou três dias a casca ficará mais forte e a pele por baixo vai estar quase sarada. Em uma semana a casca já se foi e seu braço estará lá, com uma leve marca branca, um fio que irá desaparecer com o tempo. Mas você olha e tem certeza de que o machucado fechou e não abre mais, a não ser que você se corte novamente. A cicatriz não incomoda, a pele está praticamente perfeita, tudo certo.Experimente um corte na alma. Uma dor qualquer – uma decepção, uma traição, uma perda. Você consegue saber quando a cicatriz fecha de vez? Prefiro mil cortes no braço a uma dor na alma. Não vejo o quanto ela sangra, acho que já estou curada e de repente, sem eu saber por que, a dor volta e sangra tudo novamente. O tempo cura tudo? Os cortes no meu braço, sim, na minha alma, desconfio que não. Ou pelo menos esse tempo é bem maior do que eu pensava. E também me engana, pois vejo ele passar e não vejo minha alma sarar. O problema está em mim ou no tempo? Ou nos cortes que tenho? Se souber o nome do remédio pra isso, me conte. Tempo eu já sei que não é.
 

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